17.09.2018
Brasil acolhe mais de 30 mil imigrantes crianças e adolescentes


O secretário e os adolescentes participaram, em Brasília, do Seminário Internacional Crianças e Adolescentes Migrantes promovido pelo Ministério dos Direitos Humanos. “As crianças e adolescentes são os mais vulneráveis nesse processo e necessitam de uma rede adequada de proteção para usufruir dos direitos humanos aqui em nosso país”, disse Alves.

O encontro tem como objetivo debater o cenário internacional da migração e os impactos causados a crianças e adolescentes. A proposta do evento também é permitir a troca de experiências sobre boas práticas dos órgão de governo e da sociedade civil na interiorização e os desafios na adequação das políticas públicas ao contexto migratório.

O Secretário Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente do Ministério dos Direitos Humanos, Luiz Carlos Martins Alves, durante a Abertura do Seminário Crianças e Adolescentes Migrantes.
Secretário Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Luiz Carlos

Entre os desafios no processo de adaptação de crianças e adolescentes ao Brasil, segundo o secretário nacional, estão a questão do idioma, o de promover acesso a educação apropriada, o de mantê-los próximos de suas famílias, no caso daqueles que chegam desacompanhados, o de garantir acesso a saúde e evitar que sejam vítimas da exploração sexual e do tráfico de drogas.

Segundo o secretário, o governo federal tem feito repasses de recursos para ajudar os estados e municípios que estão recebendo imigrantes. Para 2019, estão previstos R$ 50 milhões no Orçamento para a interiorização.

Danos emocionais
Para a gestora nacional da ONG Aldeias Infantis SOS, Sandra Greco, as questões emocionais das crianças, adolescentes e famílias que chegam ao Brasil também precisam de atenção. “Eles vêm de maneira forçada, pela situação da Venezuela, e a maioria das crianças pequenas chega com grande desnutrição. Eles vêm em condições precárias. Suprimos as faltas materiais, mas todo o dano emocional só vamos conseguir ver daqui um tempo”, explicou.

Segundo Sandra, as crianças são muito resilientes, conseguem se adaptar a nova cultura e a escola, mas, ainda assim, é preciso um trabalho de formação para os professores e de conscientização para as próprias crianças brasileiras, para que não haja rejeição e bullying aos venezuelanos.

A gestora das Aldeias Infantis SOS ressaltou a importância da solidariedade da população aos imigrantes. “Nesse momento que o Brasil vive esse vácuo de valores morais e éticos, tem nos surpreendido a reação do povo brasileiro, que tem se mostrado bastante solidário e apoiando muito essa questão”, disse.

O Seminário Internacional Crianças e Adolescentes Migrantes tem o apoio do Eurosocial, Aldeias Infantis SOS e Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).

Publicado por: Vanderlei Silva - Jornalista - Mtb. 13.349

Fonte: Rádio Encruzilhadense/Agência Brasil