14.11.2017
Produtores reivindicam mudanças urgentes na política para o setor do leite
O impacto da crise do leite e seu baixo valor de mercado no Rio Grande do Sul foram tema de audiência pública promovida pela Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa, em Pinheirinho do Vale.

Produtores de leite dos 42 municípios que compõem a Associação dos Municípios da Zona da Produção (Amzop), reivindicam mudanças urgentes na política que atende a bacia leiteira no estado. A principal crítica diz respeito à permissão da entrada de leite em pó vindo do Uruguai, que derruba o preço do leite produzido no RS. A cobrança se refere ao decreto do governo estadual de junho do ano passado que baixou a alíquota do ICMS para importação de 18% para 12%. A importação deixou o preço do litro em torno de R$ 0,63 centavos pago aos produtores da região.
Conforme dados da Emater apresentados na audiência, cerca de 20 mil famílias já abandonaram a produção de leite no Rio Grande do Sul. " É muito grave o que está acontecendo, e os governos estadual e federal não podem virar as costas às famílias. Não dá para cruzar os braços diante da entrada desenfreada de leite de outros países, que inviabiliza a permanência das famílias no campo e desorganiza a produção no estado", observa o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Edegar Pretto (PT), que participou da audiência e reforçou o apoio do Legislativo estadual aos agricultores familiares.

Em 94% dos municípios há produção leiteira. O estado tem 198 mil produtores de leite. Desses, 100 mil produzem para a venda e 90 mil para consumo próprio. Dos 100 mil, 85 mil são reféns da indústria, e vendem somente para ela. A atividade leiteira proporciona aos produtores rurais, no mínimo, duas safras por dia, resultando no rendimento mensal. Essa dinâmica movimenta o comércio local 12 meses por ano, além de ser uma das principais atividades que potencializam e motivam a permanência das famílias no campo. "Sem espaço para produzir, a tendência é aumentar o número de famílias que vão largar a atividade, e uma das principais causas é o endividamento em função do baixo preço do litro do leite. Isso afeta a economia das famílias e dos municípios, gera endividamento, desemprego e êxodo rural", alertou Edegar Pretto.
Prefeitos, vereadores, deputados e representantes de sindicatos de trabalhadores rurais, entidades ligadas ao campo e universidades se revezaram ao microfone para cobrar dos governos a extinção de decretos que permitem a entrada de leite importado, e também o compromisso de reorganizar a cadeia produtiva. Ao final, entregaram às autoridades um documento que denominaram de grito dos produtores contra o endividamento e insegurança para as famílias que vivem da agricultura familiar no noroeste do estado. A carta apresenta os motivos do abandono da produção de leite e as principais dificuldades das famílias, e também os desafios para a cadeia produtiva, com políticas que estabeleçam preço mínimo do leite baseado no custo de produção e projetos construídos de acordo com a necessidade efetiva das famílias na atividade leiteira.

Publicado por: Vanderlei Silva - Jornalista - Mtb. 13.349

Fonte: Rádio Encruzilhadense/Agência de Notícias da ALRS