31.03.2016
Secretaria de Segurança Pública não atende pedidos dos encruzilhadenses
Divulgação
Frustração. Este foi o sentimento dos integrantes de uma comitiva composta por cerca de 40 encruzilhadenses que esteve em Porto Alegre, na manhã da última quarta-feira, para uma reunião com o secretário de Segurança Pública, Wantuir Jacini. Ao final do encontro, nenhuma das reivindicações das lideranças do município foi atendida. De concreto, apenas o número de um whatsapp, fornecido pelo secretário, que passou a ser utilizado pela polícia gaúcha para receber informações: 8418 7814. Foi solicitado a designação de um delegado de Polícia titular e mais PMs.

O encontro com o secretário Jacini foi agendado pelo deputado estadual Marcelo Moraes, atendendo pedido do vereador Pedro Paulo dos Santos Soares. A comitiva encruzilhadense era integrada pela prefeita Laíse Gorziza de Souza, presidente da Câmara de Vereadores Marco Antonio Grandini (Boca da Sucam), presidente da CDL José Antonio Carvalho de Freitas (Totonho),presidente da OAB local Jani Damé, secretários municipais, vereadores e líderes comunitários. O deputado estadual Frederico Antunes também participou da audiência.

A rotina de criminalidade que intranquiliza os encruzilhadenses foi mostrada ao secretário Wantuir Jacini pelas lideranças do município, seguida por apelos qualificados como desesperados por melhoria na segurança pública. Foram citados os casos bastante frequentes de assaltos a mão armada a empresas, tráfico de drogas, abigeato e homicídio entre outros.

O presidente da CDL, José Antonio Carvalho de Freitas relatou a intranquilidade por parte dos empresários e seus funcionários, temendo assaltos a mão armada. “Não é possível que um município com cerca de 25 mil habitantes possua um efetivo de apenas onze pessoas na Brigada Militar. É desumano para os PMs fazer, seguidamente, o patrulhamento com apenas um homem”, lamentou.

O depoimento do líder comunitário Jeferson Machado Ferreira mostrou as carências enfrentadas pela BM e DP no município, para combater a criminalidade. Residente na Vila da Fonte há 12 anos, Jeferson disse que a polícia já encontra dificuldades para entrar na vila durante a noite.

“A comunidade encruzilhadense está desesperada e necessitamos de ações urgentes por parte do Estado, visando trazer de volta a segurança pública”. O apelo foi feito pela prefeita Laíse de Souza ao secretário Jacini. Ela recordou as diversas reuniões já feitas com representantes da Brigada Militar, em Santa Cruz do Sul e, recentemente, com o Departamento de Polícia do Interior, em Porto Alegre, no entanto, sem o retorno esperado. A prefeita mostrou que o município precisa ser priorizado pelo secretário Jacini, pois é um dos poucos do RS que possui um presídio, cuja segurança também é feita ´pela BM, retirando das ruas, parte expressiva do efetivo que já é muito abaixo do mínimo adequado. Laíse recordou que há 30 anos o número de PMs no município era em torno de 50.

Depois de ler as manchetes recentes de jornais locais sobre a onda de criminalidade, o deputado Marcelo Moraes disse que a comunidade encruzilhadense necessita de respostas mais efetivas por parte da Secretaria de Segurança Pública. “Não adianta fazer operações especiais durante uma ou duas noites”, garantiu, acrescentando “estranhar que quando um delegado de Polícia começa a fazer um bom trabalho no município, logo é transferido”. Já o deputado Frederico Antunes elogiou a manifestação ordeira e organizada da comunidade encruzilhadense representada por suas lideranças. “Tal fato tem de ser levado em conta pela Secretaria de Segurança Pública”, salientou, acrescentando: “Todos estão aqui em busca de melhores condições de trabalho para a Brigada Militar e Polícia Civil no município”.

No entanto, a manifestação do secretário Wantuir Jacini frustrou a expectativa dos integrantes da comitiva em contar com mais PMs e um delegado de Polícia. Primeiro o secretário citou a legislação branda como uma das causas do aumento da criminalidade, em função do pouco tempo em que os condenados ficam presos. Depois disse que o Estado só vai chamar concursados quando tiver alcançado o equilíbrio em suas finanças. E por fim citou uma frase que certamente também é o questionamento geral: “Me admiro que o RS, um Estado com o 4º PIB do Brasil, possua um governo com tanta dificuldade financeira para prestar o serviço público essencial”.

PROMOTOR TITULAR PODE SER NOMEADO EM JULHO

No início da tarde, a comitiva encruzilhadense esteve reunida com o sub-Procurador Geral de Justiça, Fabiano Dallazen, cujo encontro foi agendado pelo deputado estadual Frederico Antunes. A reivindicação apresentada foi a designação de um promotor de Justiça titular para o município, eis que atualmente a Comarca é atendida em caráter de substituição pelo titular de Rio Pardo.

O sub-Procurador Fabiano Dallazen foi receptivo ao pedido, dizendo que o Judiciário está chamando promotores aprovados no último concurso, e que um deles deverá, diante da necessidade, ser designado para Encruzilhada do Sul até julho próximo. Ele ainda revelou que o promotor ficará, no mínimo por dois anos no município, período no qual não haverá transferência para outra cidade.


Publicado por: Vanderlei Silva - Jornalista - Mtb. 13.349

Fonte: Rádio Encruzilhadense/Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Encruzilhada do Sul