23.07.2015
Traçado da ferrovia Norte-Sul passará por Encruzilhada do Sul
Divulgação
Aguardado pela região há quase uma década, o projeto que vai delinear o traçado oficial e as minúcias que envolvem a construção do trecho entre Chapecó (SC) e Rio Grande da Ferrovia Norte-Sul tem data e local para ser apresentado: 12 de agosto, na Câmara dos Deputados, em Brasília. Mais do que isso, terá como interlocutor direto o próprio ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues. E pelo que mostra o traçado que está sendo trabalhado, o trajeto vai passar pelos municípios do Vale do Rio Pardo.

Ausente no anúncio de um pacote de concessões para obras das ferrovias brasileiras realizado no mês passado pela presidente Dilma Rousseff, o fragmento sulista da obra que promete ligar o país de Norte a Sul através dos trilhos chegou a ser colocado em xeque por lideranças gaúchas. Mas conforme a Frente Parlamentar Gaúcha em Defesa da Ferrovia Norte- sul, que se encontrou com o ministro Rodrigues na semana passada, está mais próxima de sair do papel do que nunca.

Depois de três anos, finalmente o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) está pronto. “Nossa mobilização e trabalho para que os trilhos passem pelo RS não está sendo à toa. Na reunião, foi anunciado que a obra só não integrou o Programa de Investimento em Logística em virtude de o EVTEA não ter sido concluído formalmente. Vamos auxiliar a União a buscar possíveis investidores, visando agilizar a obra” comentou a deputada estadual Zilá Breitenbach (PSDB), coordenadora da Frente.

No compromisso da última terça com Rodrigues, Zilá esteve em Porto Alegre para votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), e foi representada em Brasília pelo seu chefe de gabinete, Giovani Luz-zatto. Conforme ele, o encontro foi fundamental para que as garantias com relação ao futuro do projeto fossem esclarecidas. “O ministro deixou claro que, agora que o EVTEA está pronto e o traçado tem uma definição, a idéia é encontrar logo interessados em investir”, salienta.


Audiências vão apresentar projeto para investidores

Um dos fatores que empolgaram as lideranças na esperança de que o trecho gaúcho da Norte-Sul finalmente ganhe uma injeção de celeridade está no modelo que será proposto para sua construção. Ainda em agosto, são aguardadas audiências públicas no Paraná, Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, também com a presença do ministro dos Transportes, para que o projeto seja apresentado à iniciativa privada. Ou seja, a idéia inicial, de controle estatal, foi abandonada. Grupos de investidores brasileiros e chineses já demonstraram interesse na demanda.

Incluído no Programa de Investimentos em Logística (PIL), que pretende injetar quase R$ 100 bilhões no setor ferroviário brasileiro até 202, o trecho Chapecó-Rio Grande pode se tornar um negócio atrativo. Esse modelo de concessão prevê investimentos que serão realizados durante os primeiros cinco anos de contrato. Os bancos públicos poderão financiar até 70% do valor do investimento a uma taxa de juros de , no máximo, 2,0%
Previstas para durarem 35 anos, essas concessões tratam da exploração da ferrovia, compreendendo a construção, manutenção, monitoramento e gestão, entendidos aqui como trabalhos e serviços, nos termos, prazos e condições estabelecidos no contrato. Depois disso, o governo toma posse dessas estruturas.


Trajeto passa por Rio Pardo e Encruzilhado do Sul

Entre idas e vindas, muito especulou-se sobre a possibilidade de o traçado final cortar o Vale do Rio Pardo. Com o EVTEA concluído, pela primeira vez a Valec, estatal vinculada ao Ministério dos Transportes, responsável pela construção e exploração de infraestrutura ferroviária no Brasil, confirmou as cidades por onde a mega obra deve passar. Entre elas estão Rio Pardo e Encruzilhado do Sul. Segundo Luzzatto, os trilhos serão instalados em uma faixa com margem de 10 e 30 quilômetros dos locais anunciados neste momento. “ Isso se dá pela necessidade da licença ambiental e outras possíveis questões. Mas o Vale do Rio Pardo integra o traçado, garante.

A Norte-Sul
A Ferrovia Norte-Sul foi projetada ainda na década de 1980 com o objetivo de promover a integração do território nacional, diminuir custos para transportes de cargas e interligar as regiões brasileiras, por meio das suas conexões com ferrovias novas e já existentes. Como dezenas de projetos, esbarrou em interesses, na falta de políticas de Estado e na burocracia durante décadas.

Iniciado a partir de ligação com a Estrada de ferro Carajás, o empreendimento terá a extensão de 4,1 mil quilômetros quando concluído e cortará os Estados do Pará, Maranhão, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul .

O trecho que compreende o Vale do Rio Pardo vem de Panorama, cidade do oeste do Estado de São Paulo, até Chapecó, no sul de Santa Catarina. Aí entra no Rio Grande do sul por Frederico Westphalen, passa por Cruz Alta e Santa Maria até chegar a Rio Pardo e Encruzilhada do Sul, de onde segue até a zona Sul, com destino a Pelotas, desembarcando finalmente no porto de Rio Grande.
O estudo técnico dos trechos entre os municípios de Panorama e Chapecó e entre Chapecó e o porto de Rio Grande foi contratado pela Valec em dezembro de 2012, com investimento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de R$ 9,8 milhões. (Fonte: Joel Haas, Gazeta do Sul, 22/07/2015)


Publicado por: Vanderlei Silva - Jornalista - Mtb. 13.349

Fonte: Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Encruzilhada do Sul