25.05.2015
Indústria representa mais de 25% do PIB gaúcho
A indústria é considerada a força motriz de uma economia sólida. E no Rio Grande do Sul desempenha papel importante. Sozinha representa mais de 25% do Produto Interno Bruto (PIB). E também possui características sólidas. Há uma concentração de quase 40% em três setores: alimentos (16%), veículos automotores (12,9%) e máquinas e equipamentos (10%). Merecem destaque ainda os segmentos de produção química e calçadista.

Ao mesmo tempo, é considerada uma das mais diversificadas do país, tendo representantes de vários ramos. É em suas fábricas que pulsa parte do desenvolvimento de uma região. Isso porque a indústria é responsável por promover melhoras econômicas e sociais, como o aumento de renda, geração de consumo e atração de trabalhadores, além da produção. Esse movimento é chamado de efeito multiplicador na economia.

Podemos citar o caso do Polo Naval, que deu destaque a Rio Grande. A instalação do Complexo Automotivo General Motors, em Gravataí, no final dos anos 90, é outro exemplo. Mesmo com as dificuldades, o setor automotivo é um dos mais importantes da indústria gaúcha. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a fabricação de veículos foi a atividade que mais ampliou a participação no RS, passando de 9,7% para 12,9% em cinco anos.

Uma característica própria do setor automotivo é a ramificação do investimento. A instalação de uma fábrica é acompanhada normalmente de outras empresas de menor porte, que são as responsáveis por fornecer peças e outros componentes.

Ao mesmo tempo, esta potência chamada indústria constantemente se reinventa para conseguir superar as dificuldades e obstáculos e garantir o crescimento da produção. O economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE), André Luis Contri, cita o momento atual, período em que a economia nacional enfrenta uma recessão. “O RS segue a tendência nacional, embora tenhamos conseguido nos descolar um pouco com o apoio do agronegócio, que representa 40% da produção industrial (como alimentos e máquinas). Mesmo assim, estamos presos ao comportamento do país”, explica.

Para o professor da Faculdade de Economia da PUCRS, Adelar Fochezatto, a força do setor agropecuário faz diferença, em especial quando a demanda por alimentos no mundo é maior. “O Estado pode se destacar neste panorama”, acredita Pochazatto. Segundo Contri, a indústria nacional tem grandes condições de se recuperar. Entre as vantagens está a existência de um mercado consumidor interno forte, mão de obra qualificada e capacidade de geração de conhecimento.

Para o gerente de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato Fonseca, a indústria perdeu espaço e para mudar esta realidade é fundamental realizar mudanças, romper o círculo vicioso e iniciar um virtuoso. Uma das medidas, recomenda, é o repasse de investimento em infraestrutura para a iniciativa privada, pela concessão, porém, com regras claras.

Fiergs projeta melhoras para 2016

O ano será de dificuldades e instabilidades para o setor industrial gaúcho, em especial influenciado pela recessão do país. Mesmo com este panorama, as projeções são animadoras. Otimista, o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Heitor José Müller, ressalta confiança nas mudanças anunciadas pela equipe econômica nacional.

Ao mesmo tempo, se diz animado com os indicativos do governo do Estado, no que se refere à infraestrutura. “O governador José Ivo Sartori disse não estar preocupado com a reeleição e que fará as medidas necessárias para que o Rio Grande do Sul se recupere”, recorda. Ele se refere diretamente à abertura do governo em promover concessões ou firmar Parcerias Público-Privada (PPP) para a realização de obras de infraestrutura, incluindo rodovias.

Alguns indicadores mostram a retomada da confiança na indústria e na economia. Em março, o Índice de Desempenho Industrial do RS (IDI-RS) avançou 3% na comparação com o mês anterior. O resultado só não pode ser totalmente comemorado em função do recuo nas compras industriais de insumos e matérias-primas (-18,1%), faturamento real (-8,8%) e horas trabalhadas na produção (-7,9%). Outro indicador de recuperação está no crescimento da confiança.

A pesquisa de abril mostrou que houve aumento na perspectiva sobre a economia brasileira entre os empresários, de 25,2% para 31,7%. “Ainda estamos com resultado de uma década atrás. Porém, existe um movimento para colocar o país nos trilhos. Estamos otimistas com esta perspectiva”, assinala.

Volume elevado nas exportações

Segundo a CNI, a indústria é responsável por 56,1% das exportações no Rio Grande do Sul. Este desempenho assegura ao Estado a posição de segundo maior exportador industrial do país. Somente em 2013, o volume financeiro atingiu 14,1 bilhões de dólares. Destaque especial para o setor de fabricação de equipamentos de transporte, não incluindo os veículos automotores. Infelizmente, em abril deste ano, as exportações industriais tiveram retrações.

Houve queda de 5,2% na indústria de transformação, principalmente no setor de produtos alimentícios e derivados do petróleo, segundo a FEE. Ainda sobre a importância do RS na indústria nacional, o Estado abriga mais de 51 mil empresas industriais. O número corresponde a quase 10% do país.


Publicado por: Vanderlei Silva - Jornalista - Mtb. 13.349

Fonte: Correio do Povo